Elis Regina - FASCINAÇÃO

domingo, 20 de outubro de 2013


MAIS UMA VEZ CAETITÉ

Ontem ouvi da minha amiga e colega Nilma Montenegro um comentário sobre Caetité que me fez sorrir ainda mais! Ela elogiou a minha cidade.
É... realmente é a terra onde nasci, onde vivi por 20 anos e para onde volto sempre em busca dos meus sonhos de menina...
É a terra onde aprendi a ler e escrever.
É a terra onde aprendi a andar, me equilibrando em minhas pernas... onde aprendi a andar me equilibrando sobre uma bicicleta... onde aprendi a dirigir um carro... mas, sobretudo a dirigir a minha própria vida!
Não ha, com certeza, nenhum lugar que se compare àquela cidade mãe, cidade cultura, cidade serrana... cidade que, parodiando Gil, me deu régua e compasso!
Conheci as suas ruas descalças e as calçadas com pedras brutas... depois as que forram forradas com paralelepípedos... e por fim as asfaltadas.
Conheci a sua praça em diversas formas e me encantei ainda mais com a última. Praça onde ficava a velha casa onde nasci. Praça onde contornei o jardim noite após noite, onde namorei sentada no banco... onde encontrava os amigos e era sempre muito feliz!
Conheci suas feiras e suas tangerinas empilhadas sobre um couro de boi estendido no chão... onde comprava coquinho licuri cozido para quebra-los, na calçada, com uma pedra e me deliciar com sua massa branquinha.
Conheci seu povo, o meu povo! Os velhos já encarquilhados e contando histórias... e os jovens namoradores que nos encantavam enquanto mocinhas sonhadoras. As velhas "labutadeiras" e  as meninas que estudavam e se tornavam professoras para ensinar crianças de toda a Bahia.
Conheci seus doidos... ah! e como os havia nas suas ruas e praças! E como se tornaram folclores e lendas!
Conheci as "fobicas" de Aristaco, de Osvaldo Melo, de Sinholeta.. o jipe de Aroldo de Ovidinho, as rurais de Fiim e de Lelinho, a lambreta de Tõe de Milton, e a buzina que tocava "Namoradinha de um amigo meu" do caminhão de Fiim... E a Bela Vista de Padim João.
Também conheci a nossa banda "Os Tártaros" que alegravam nossas festas e nossa vida!
Desci e subi a Dois de Julho de bicicleta... volteando em zigue-zague nas subida para não me cansar.
Andei pelo Mulungu, pelas estradas de cascalho, pelo Periperi e lá chupei muita manga, muito umbu, muita laranja. E lá ia levar e buscar o meu pai que andava a pé pela fazenda, mesmo que o sol estivesse "de rachar"!
Conheci a vida ali... o começo de tudo e o aprendizado da força de ser, de estar neste mundo à procura de crescer e evoluir.
Minha Caetité, minha terra, meu amor!
Luzmar Oliveira.
04out13
Foto de Luiz Benevides.

Um comentário:

  1. Essa é minha amiga Luzmar! Escreve maravilhosamente bem, principalmente quando fala sobre Caetité, pois fala com o coração! Obrigada amiga, por nos remeter a lembranças tão belas! Bjs de Celina

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