NOS CIRCOS
DA NOSSA VIDA
“De você eu
me despeço com a mão esquerda, a mão do coração!” Disse o garoto do circo
àquela menina...
Quem nunca
teve suas paixões pelos artistas dos circos mambembes que passavam pelas
cidades do interior?
Adolescência.
Chega a Caetité o Circo Luso Brasileiro, o Real Madri, outros circos... Angela
Rios. Miss Jane... Os garotos se
encantaram com miss Jane e as garotas com os equilibristas, trapezistas...
E assim foi,
inúmeras vezes. A cada circo, uma nova paixão, como ainda hoje acontece com os
atores, cantores e jogadores. Uma idolatria maravilhosa que terminava quando
partiam.
Não havia,
para nós, coisa melhor que ir ver Mexicanito driblar os “touros” que, na
realidade, eram bois bravos (às vezes nem tanto) trazidos das fazendas
vizinhas. E o circo de Zé Lingüiça com sua esposa Maria Silva requebrando para
os senhores da primeira fila? “Uma paradinha para Osvaldo Melo!”
Quantas
vedetes dançaram o mambo naquelas barracas de lona e encantaram gerações!
Quantos trapezistas se penduraram nas cordas e deram saltos mortais e fizeram acrobacias
maravilhosas arrancando aplausos e emoções!
E os
palhaços? Mascota e Pichurim... Zé Lingüiça... Garrafinha... “Ai Marieta, ai
minha preta! Nem que o diabo arranque o rabo eu não deixo a Marieta! Oh! Marie-ta!
Oh! Minha pre-ta!”
Espetáculos
diários e as famílias se deslocando para a grande tenda, alguns levando cadeiras,
para assistir aqueles momentos de alegria e descontração. Havia até peças de
teatro. Dramas! Comédias! Lembro-me de “Coração Materno”, peça altamente
trágica que arrancava lágrimas da platéia!
Como eram
simples os nossos gostos! Como exigíamos pouco da vida! Talvez, por isso,
fôssemos tão felizes e nos sentíamos, por menos dinheiro que tivesse a nossa
família, ricos e poderosos! Mesmo sendo uma cidade pequena, nunca nos faltava
diversão, pois, se não viesse de fora, nós a criávamos: Pequenas peças de
teatro, quermesses, serviços de alto-falantes, parques, passeios na praça e
festinhas em casas de amigos.
Quem não
freqüentou as festas de Tiabinha? Quem não espiou os ensaios dos Tártaros em
casa de Teka? As missas festivas onde havia de tudo, até Meinha, Solange e
companhia aprontando no coro da igreja ou amarrando os cadarços dos sapatos dos
rapazes e fazendo-os tropeçar? Quem nunca se divertiu com as armações de Caju,
Tauá e sua turminha? Com o barulho diferente do acelerador das rurais de Fiim e
Lelinho? E com tantas outras brincadeiras desse povo maravilhoso e unido?
Tempos de
uma cidade distante da capital e rica em seres humanos. Famílias tradicionais
que eram iguais às mais humildes, pois, nas festas e celebrações todos se
misturavam e não havia preconceitos. A escola era a mesma para aqueles jovens
que aprendiam graças à competência e amor à profissão dos mestres (alguns eram
tão dedicados e preparados que se tornaram quase lendas!). Onde filhos pediam a
benção aos pais, avós e tios e os respeitavam e aos mais velhos, como lhes foi
ensinado. Onde freqüentávamos o catecismo, assistíamos à missa e nos
orgulhávamos de ter um bispo, um ministro protestante e um dos primeiros
centros espíritas do interior baiano.
O tempo
passou. Fomos perdendo a fonte luminosa que havia em frente à casa do Sr.
Durval; o Teatro Centenário, símbolo da nossa tradição de cidade cultura; Os
diversos pavimentos da Escola Normal e sua linda estátua da Princesa Isabel; o
mercado antigo; o nosso amado Cine Vitória; o jardim ao lado da igreja e tantos
outros que marcaram a nossa cidade, a nossa vida!
Hoje são
lembranças. São casos que contamos e nos trazem saudades. São momentos de uma
vida, de muitas vidas que foram geradas ali ou se transferiram pra lá. Sagas de
famílias inteiras que descobriram, que construíram Caetité e ajudaram a
escrever a sua história! E agora, quando falamos do passado, da saudade, das
lembranças das nossas vivencias de Caetiteenses, nos irmanamos em sentimentos
idênticos, em emoções maravilhosas que nos trazem a consciência de que
acertamos em alguma coisa e que fomos jovens privilegiados e muito felizes!
Indubitavelmente esta é a causa principal de hoje sermos pessoas bem resolvidas
e amigas.
Um beijo na
alma de quem lê e se vê em minhas crônicas.
Luzmar
Oliveira
21.05.2013

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