EXISTEM DETERMINADAS
LEMBRANÇAS QUE NOS MARCAM A VIDA...
Vocês já sentiram “cheiro
de pensionato”? Pois é... é aquele cheiro que sentimos quando moramos em um...
Tipo cheiro de sabonete adocicado... Ou perfumes de supermercado... Ou daquela
comida mal temperada e, às vezes, mal cozida! São traumas que trazemos pelos
corredores da vida e dos quais nunca conseguimos nos desvencilhar, por ficarem
impregnados em nossas narinas. Marcas de um tempo em que gramamos muito para
sobreviver, principalmente à saudade da nossa casa limpinha e acolhedora. Da
comida da nossa mãe, do café da manhã com bolos, chiringa, chimango e beiju com
manteiga de garrafa. Daquele almoço onde havia desde o feijão novinho até a
carne do sol assada em panela de ferro! E o jantar ao lado da família, com a
farofinha gostosa... Pois é, eu vim do sertão de Caetité, sudoeste da Bahia,
onde a cultura baiana se mistura com a mineira e a gente come pequi e doce de
buriti. Eu vim de uma casa abastada, onde a fartura de comida e guloseimas era
enorme e cresci como menina cheia de vontade!
Mas vim para a capital. Eu
era universitária e, por força das circunstâncias, fui morar em um pensionato
no centro da cidade do Salvador, na Mouraria. Houve, naquela ocasião, uma crise
no fornecimento de carne e formavam-se, desde a madrugada, filas enormes nas
portas dos açougues. E, não sei se pelo pouco tempo entre o comprar e carne e o
seu preparo, muitas vezes a mesma era servida apenas aferventada, com aquele
cheiro horrível! Eu, menina mimada, me levantava da mesa e me recusava a comer
aquela coisa que me causava náuseas! E isso a gente nunca esquece... Isso a
gente carrega pelos caminhos, arquivado em nossa mente e, vez em quando, vem à
tona através de um cheiro, uma visão, um tropeço.
São as marcas que a vida
nos faz e ainda não conseguimos superar. Mesmo porque, através delas,
aproveitando cada lição que nos lembram, crescemos. Trabalhamos nossa
tolerância, nossos limites e buscamos nos tornar pessoas mais simples e aceitar
melhor as circunstâncias da vida! E é nesse aprendizado que nos melhoramos e
compreendemos que somos seres na escola, que cada dia é uma lição e que nunca
vai parar se não nos corrigirmos e resolvermos evoluir de verdade.
Portanto, olhemos o
passado apenas como a lição de ontem e vivamos o hoje com as devidas
modificações para que, amanhã, só sintamos o cheiro das alegrias e dos momentos
de felicidade.
LUZMAR OLIVEIRA - Do livro Por Amor

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