ADEUS
Sento-me ao volante e o
carro desliza pelas ruas de Salvador. De repente, estou percorrendo a orla. O
mar me olha com um convite, o sol esta muito quente. Mas nem por isso eu paro.
Continuo a dirigir, rádio ligado, ar...
Tuas palavras soam nos
meus ouvidos como disco arranhado, repetindo, repetindo...
Há uma tristeza em minha
alma que dói, mas dói tanto que atinge o meu estômago. Hoje não almocei e, pelo
jeito, não vou jantar.
Pergunto-me o porquê de
tudo isso e me nego a responder. É claro que sei, mas é tão absurda a verdade
que não ouso repeti-la... Mas eu preciso fazê-lo para que esse engasgo não
contamine minha alma! Não fique como nuvem escura dentro de mim.
Alcione começa a cantar:
“Vai sentir falta de mim, sentir falta de mim...” E eu sinto uma lágrima
rolando pela minha face. Ela queima, arde como fogo! Mas as tuas palavras ardem
muito mais, pois atingiram meu coração, meu cérebro, minha vida!
Passo por Itapuã, Praça
Vinícius, Stela Maris... Resolvo voltar. Preciso ir para casa, preciso da minha
cama, do meu travesseiro, pois eu quero chorar. Eu quero ser fraca por algumas
horas, preciso disso!
Acabou... Apenas acabou...
Acabou o que nunca deveria ter começado! Somos o avesso do avesso, do avesso!
Eu sigo o meu caminho, tu segues o teu caminho. Não nos encontraremos mais e
nada mais há para ser dito. É definitivo. Mas novos encontros virão em nossas
vidas, novas paixões, novos amores! Porque a vida não para, o tempo passa e nós
nos transformamos e crescemos.
Agora só posso dizer-te
adeus. Adeus!
LUZMAR OLIVEIRA - Do livro Por Amor

Puxa, Luz! Você descreve os sentimentos de forma tão clara e real que parece palpável.
ResponderExcluirA gente sente na alma.
Bjs