Elis Regina - FASCINAÇÃO

domingo, 10 de novembro de 2013



FALO DOS ANOS DOURADOS...

Eu sempre tive orgulho dos “gogós de ouro” e dos dedos encantados que arrancam ou arrancaram melodias maravilhosas dos instrumentos musicais na minha velha e amada Caetité.
São pessoas que marcaram para sempre a história daquela cidade.
Há um que sempre encantou a menina que eu fui. Meu pai tinha um estabelecimento na Dois de Julho, chamado Hotel, Bar e Restaurante Dois Garotos. Ou seja, eu e Fiim. Ali a boemia da cidade costumava se reunir para tomar sua cervejinha e comemorar fatos ou simplesmente curtir. E nesse meio sempre aparecia Nengo Bastos, o nosso “Nelson Gonçalves” que, com uma voz maravilhosa, nos extasiava e deixava o peito arfando de orgulho.
O violino de Venceslau era o som dos anjos! Lindo!
Dona Ainda Silveira com seu piano e a voz única de dona Terezinha Bonfim.
Em minha casa tinha Inis, minha irmã, que, sentada na varanda do fundo, cantava as mais lindas músicas daquela época e me fazia ficar olhando-a e admirando. Assim como Oneide que também tem a voz encantada. Também minha cunhada Marlene Cerqueira com sua voz suave.
Minha professora de “Canto orfeônico”, dona Eliana, esposa do Ministro Protestante.
Com o passar do tempo foram surgindo nomes que nos apaixonavam. Os meninos Prisco, Luizinho e Zéu. Cada vez mais perfeitos no seu violão. Luiz Gonzaga Ramos Prisco tornou-se um mestre das seis cordas.
E a família do Sargento Apolinário? Nini e Nicinha, minha amigas, tocavam e cantavam com tanta beleza que me transportavam... Quantas vezes uma delas se sentou na sala lá de casa para tocar acordeom! O acordeom que meu pai comprou com tanta alegria e do qual jamais consegui tirar uma só nota. E Jó, meu colega e amigo que ainda hoje me fascina com seus dedos nas cordas do violão! Tekinha... Meu amado Tekinha. Líder dos Tártaros que nos deram tantas alegrias e dos quais temos a honra de ainda sermos fãs! Sim! Nós tivemos nosso próprio conjunto musical na nossa adolescência!
Dos Tártaros ficaram ainda a lembrança de Mandinga, Zé Dicazuza, Rildo e João de Deus, sempre fantásticos.
João de Deus... outro ícone dos instrumentos musicais da nossa Caetité.
Giripoca e seu trio que fez nossos carnavais!
Havia um Maestro Álvaro que dava aulas a minha irmã dinha Nenza (Nenzinha)...  a sua fisionomia ainda está muito nítida em minhas lembranças.
E o nosso Waldick Soriano? O que cantou “Deixei minha cidade tão humilde e pequenina...” e levou o nome da nossa Vila Nova do Príncipe por todo o Brasil, inclusive para o cinema. Qual caetiteense que não bate no peito ao falar do homem do chapéu preto?
Há muitos outros nomes, mas não dá para falar em todos. Quero frisar apenas mais alguns, como As Tremendonas, Carcará, Fariseus...
Falo do meu tempo. Hoje há muito mais! Mas são novos. Não os conheço.
Falo do tempo em que, para ser músico, tinha que saber tocar de verdade. Em que para ser cantor, tinha que ter voz e afinação. O tempo em que a música deliciava nossos ouvidos e fazia pulsar o sangue com emoção e beleza.
Falo do tempo em que se dançava de rosto colado e em que os namorados ou enamorados faziam serenatas embaixo das nossas janelas.
Falo do tempo da poesia, do samba canção, do bolero, das notas afinadas e dos bailes de debutantes e de formatura.
Falo da valsa que a noiva dançava com o pai e depois com o marido no dia do casamento.
Falo das canções de amor que mexiam com nosso coração e nos levavam a viagens oníricas repletas de sons, cores e cupidos.
Falo dos anos dourados. Do romantismo. Do amor!
Luzmar Oliveira
10.11.2013



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