FALO DOS ANOS DOURADOS...
Eu sempre tive orgulho dos “gogós de
ouro” e dos dedos encantados que arrancam ou arrancaram melodias maravilhosas
dos instrumentos musicais na minha velha e amada Caetité.
São pessoas que marcaram para sempre
a história daquela cidade.
Há um que sempre encantou a menina
que eu fui. Meu pai tinha um estabelecimento na Dois de Julho, chamado Hotel,
Bar e Restaurante Dois Garotos. Ou seja, eu e Fiim. Ali a boemia da cidade
costumava se reunir para tomar sua cervejinha e comemorar fatos ou simplesmente
curtir. E nesse meio sempre aparecia Nengo Bastos, o nosso “Nelson Gonçalves”
que, com uma voz maravilhosa, nos extasiava e deixava o peito arfando de
orgulho.
O violino de Venceslau era o som dos
anjos! Lindo!
Dona Ainda Silveira com seu piano e
a voz única de dona Terezinha Bonfim.
Em minha casa tinha Inis, minha
irmã, que, sentada na varanda do fundo, cantava as mais lindas músicas daquela
época e me fazia ficar olhando-a e admirando. Assim como Oneide que também tem
a voz encantada. Também minha cunhada Marlene Cerqueira com sua voz suave.
Minha professora de “Canto
orfeônico”, dona Eliana, esposa do Ministro Protestante.
Com o passar do tempo foram surgindo
nomes que nos apaixonavam. Os meninos Prisco, Luizinho e Zéu. Cada vez mais
perfeitos no seu violão. Luiz Gonzaga Ramos Prisco tornou-se um mestre das seis
cordas.
E a família do Sargento Apolinário?
Nini e Nicinha, minha amigas, tocavam e cantavam com tanta beleza que me transportavam...
Quantas vezes uma delas se sentou na sala lá de casa para tocar acordeom! O
acordeom que meu pai comprou com tanta alegria e do qual jamais consegui tirar
uma só nota. E Jó, meu colega e amigo que ainda hoje me fascina com seus dedos
nas cordas do violão! Tekinha... Meu amado Tekinha. Líder dos Tártaros que nos
deram tantas alegrias e dos quais temos a honra de ainda sermos fãs! Sim! Nós
tivemos nosso próprio conjunto musical na nossa adolescência!
Dos Tártaros ficaram ainda a
lembrança de Mandinga, Zé Dicazuza, Rildo e João de Deus, sempre fantásticos.
João de Deus... outro ícone dos
instrumentos musicais da nossa Caetité.
Giripoca e seu trio que fez nossos
carnavais!
Havia um Maestro Álvaro que dava
aulas a minha irmã dinha Nenza (Nenzinha)...
a sua fisionomia ainda está muito nítida em minhas lembranças.
E o nosso Waldick Soriano? O que
cantou “Deixei minha cidade tão humilde e pequenina...” e levou o nome da nossa
Vila Nova do Príncipe por todo o Brasil, inclusive para o cinema. Qual caetiteense
que não bate no peito ao falar do homem do chapéu preto?
Há muitos outros nomes, mas não dá
para falar em todos. Quero frisar apenas mais alguns, como As Tremendonas,
Carcará, Fariseus...
Falo do meu tempo. Hoje há muito
mais! Mas são novos. Não os conheço.
Falo do tempo em que, para ser
músico, tinha que saber tocar de verdade. Em que para ser cantor, tinha que ter
voz e afinação. O tempo em que a música deliciava nossos ouvidos e fazia pulsar
o sangue com emoção e beleza.
Falo do tempo em que se dançava de
rosto colado e em que os namorados ou enamorados faziam serenatas embaixo das
nossas janelas.
Falo do tempo da poesia, do samba
canção, do bolero, das notas afinadas e dos bailes de debutantes e de
formatura.
Falo da valsa que a noiva dançava
com o pai e depois com o marido no dia do casamento.
Falo das canções de amor que mexiam
com nosso coração e nos levavam a viagens oníricas repletas de sons, cores e
cupidos.
Falo dos anos dourados. Do
romantismo. Do amor!
Luzmar Oliveira
10.11.2013

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