Elis Regina - FASCINAÇÃO

domingo, 4 de agosto de 2013


A FESTA DE SANTANA EM CAETITÉ


Nem a igreja e nem a prefeitura economizaram esforços no sentido de tornar a Festa de Santana memorável. Juntou-se o dia da padroeira da cidade ao centenário da Diocese e transformou-se os dez dias de festa em um acontecimento digno da tradição e merecimento da nossa Caetité.
Procissões em todas as novenas culminando com a da noite da festa, quando dezenas de milhares de pessoas escorregaram pelas ruas entoando o Hino da Padroeira acompanhados de carro de som e trio elétrico. Uma missa campal de enormes proporções. Ornamentos dignos de grandes catedrais. Participação total dos fieis.
Mas faltou alguma coisa. Senti falta de algo que conheci ainda criança e que não encontrei nesse evento: uma voz perfeita que entoava a Ave Maria no coro da igreja, acompanhada pelo som do órgão de dona Ainda Silveira: A voz única e belíssima de dona Terezinha Bomfim. Com ela a missa seria completa! Senti falta, senti saudades.
No mais, foi gostoso participar da parte profana, com direito a serenatas comandadas pelo meu amigo Luiz Benevides no espaço da Ação Social. Com mostras de arte e artistas que nos encantaram os olhos com sua criatividade e beleza. Ver as esculturas do mestre Joasir Pereira dos Santos não tem preço. Ver os shows nos palcos, ver as luzes da cidade, a beleza da nossa terra!
O bom mesmo foi abraçar novos e velhos amigos. Tropeçar em um deles a cada passo, a cada sorriso, a cada palavras de carinho. Trocar as energias e matar as saudades que se acumulam no nosso exílio espontâneo. E amar cada vez mais a cada um. Sorrir e contar “causos”, relembrar histórias e trocar telefones...
Sentar nas barracas da Praça da Catedral e olhar pro lado sentindo falta dos bancos de antigamente, do frio que por encanto desapareceu, dos amigos ausentes, da simplicidade que se foi.
Mas, ao mesmo tempo, contemplar o progresso e ver que nossa cidade cresceu, se esparramou morro acima e morro abaixo, ganhou ruas, avenidas, jardins e escolas. Faculdades. Autonomia. Independencia.
Foi um mundo de emoções que me fizeram sorrir e até chorar. Saber que amigos antigos e novos estavam ali, ao alcance das minhas mãos, comentando minhas crônicas e gostando delas... realmente foi mágico!
Foi mágico também ir para o sítio de Tiabinha comer churrasco pisando na terra como antigamente. Sentir o cheiro do estrume como na velha Periperi do meu pai. Comer bolo frito feito por Neda em casa do meu irmão Dacio Oliveira. Ou o doce de leite cremoso de Cleide Lopes no aniversário do prefeito Zé Barreira.
Lindo ouvir a alvorada ao nascer do dia e os foguetes espocando em algazarra! Abrir a janela do quarto e respirar o ar da minha infância. Sentir o aroma da minha terra!
Valeu a pena viajar centenas de quilômetros para matar a saudade da cidade, da família, dos amigos que são de toda uma vida! E, ao roer os últimos pequis do congelador da casa de Tiabinha, sentir um sabor inigualável! Voltar pra casa com chiringas, tapioca, doces e aquele queijo branco que tem gosto de infância feliz!
Pois é, meus amigos. Fui a Caetité. E se lá deixei meu sorriso nas rodas de amigos, trouxe o deles comigo para alegrar o meu dia a dia e iluminar o meu caminho.
Com certeza foi muito bom passar uns dias em minha terra natal.

Texto e foto: Luzmar Oliveira

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