UMA DECLARAÇÃO DE AMOR
Hoje
senti uma saudade do quintal da minha casa... saudade das bananeiras, das
laranjeiras, das hortas...
Quando
pequenas, eu, Ana helena e Celina, nos perdíamos ali, brincando de
bandeirantes. E gritávamos para Rosa, nossa cozinheira, ir nos buscar. E ela ia
sorridente e feliz. Por onde andará Rosa? Gordinha, bem humorada, sempre fazia
a comida do meu jeito.
Em
nossa vida sempre passam figuras marcantes como essa moça simples de Ibiassucê.
Ao olharmos para trás descobrimos
que conhecemos muito mais pessoas do que
imaginamos. Quantas estiveram ao nosso lado por determinado período e depois
seguiram por estradas diversas da que percorremos? Algumas mais chegadas e
outras apenas circunstanciais. Mas marcaram assim mesmo.
Sempre
falamos dos amigos, parentes, vizinhos, professores, colegas... e os ‘causos’ emergem
das lembranças e são motivo de longos bate papos! Recordações de uma vida
inteira que nos trazem saudades e sorrisos de satisfação por havermos deixado e
trazidos marcas.
Nos
primeiros anos de vida éramos conduzidos ao Jardim de Infância. Avental
branquinho, merendeira igual e com nosso nome bordado. Uma salinha à parte com
lugar apropriado para pendura-las. Uma sala enorme entaboada, com três mesas
retangulares de tamanhos diferente e cadeirinhas forradas em couro. Muitos
brinquedos: um enorme triciclo, gangorra, cubos e cilindros em madeira, bolas e
outros mais. Dona Nadir ou dona Cecê a nos tratar com um carinho sem igual. Amo
as duas! Uma escada para o exterior da sala, que ia dar em um pátio com
canteiros de angélicas vermelhas, rosas e brancas. Eles eram contornados por um
tronco feito de cimento. Ao centro, um
pedestal encimado pelo busto da Princesa Isabel, a “redentora”. Ao seu redor,
saliências à quisa de bancos ou cadeiras que também serviam de plataforma para recitar poemas ou proferir
discursos. Agora me pergunto: quantas pessoas estiveram ali, quantas
sentaram-se nos banquinhos, quantas subiram neles e quantas abraçaram a
Princesa? Centenas passaram por aquela
escola que foi Normal, Colégio Estadual e Escolas Anexas! Jovens fardados que
sorriam e brincavam naqueles pátios, que alisavam os bancos das salas de aula,
que faziam educação física no campinho, que comiam na cantina de Isolina e
corriam de volta pra sala quando a mesma batia na velha roda de ferro!
Em
determinada sala havia um palco onde se faziam as sessões festivas. No teto,
uma abóbada celeste belíssima! Num outro pavilhão, onde hoje funciona a Câmara
Municipal, havia o Salão Nobre onde um enorme quadro do Redentor nos olhava e
abençoava. Ali aconteciam os momentos mais sagrados daquele centro de educação
da terra de Anísio Teixeira.
E
tudo isso passou. Faz parte de um tempo que é chamado recordação e vem cheinho
de um sentimento conhecido como saudade. Espaço onde crescemos, eu e minha
geração e algumas que a antecederam, e umas poucas que vieram depois. Espaço
onde conhecemos amigos que nunca esquecemos e professores que nos ensinaram
coisas que a vida não apagou. Templo onde orávamos antes da aula, cantávamos os
hinos copiados na caderneta, sorríamos e suávamos correndo pelo espaço aberto
que era também nosso lar! Lugar onde crescemos como gente e como espíritos
aprendizes!
Comecei
sentindo saudade do quintal da minha casa e as recordações me levaram à minha
primeira escola, à sala de dona Judith Moreira Cunha, aquela a quem devo as
primeiras letras, os primeiros poemas recitados, o meu grande amor pela
leitura! As recordações de uma vida que foi bela e saudável, dentro de espaços felizes,
repartida com pessoas que me ensinaram a amar sem condições e que enternecem
meus pensamentos e coração. Resquícios de um passado que, na verdade, ainda
existe bem vivo no fundo da minha alma e de quantas mais pessoas viveram ali,
naquele pequeno pedaço de terra que responde pelo nome suave e adorado de
Caetité!
Uma
declaração de amor à vida que me fez caetiteense, serrana, sertaneja, baiana,
mulher, guerreira e feliz!
Luzmar
Oliveira
09ab2013

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