Elis Regina - FASCINAÇÃO

domingo, 20 de outubro de 2013


Não sei o que fazíamos no dia das crianças...

Não me lembro do que fazíamos no Dia das Crianças, mas lembro-me perfeitamente do que fazíamos o ano todo!
Era uma turminha toda especial! Cleide e Luiz de “Seo” Didi, Janete de Né Raizeiro e seus irmãos, Marlúcia e Marcondes de “Seo” Zé Alves, Marcio (meu sobrinho), a turma de “Seo” Auto Gomes... as filhas de Dr Laerte... Ni, depois as minhas primas filhas de tio Ananias.  Essa era a Rua Dois de Julho, um parque de alegrias e brincadeiras!
Vamos brincar de roda? Telefone? De-ma-ré? Baleado? Peteca? Pular corda? Picula? Pedra lisa? Chicotinho queimado? Passar anel? Tres-tres passará? Cancela? Tico-tico? Futebol? Triangulo? Pegar tanajura e enfiar no palito (maldade!!!)? Pular Macaco? Cala a boca e não se mexa? Pegar um sério? Dominó? Damas? Bonecas? Bola? Bola de praia (aquela de várias cores e de soprar)? Birosca? Bicicleta?
Vamos ler um gibi da Luluzinha, Bolinha, Bolota, Riquinho, Brotoeja, Zorro, Tarzan, Mandrake, Fantasma, Faroeste...?
E as revistas em quadrinhos Capricho, Sétimo Céu, Grande Hotel, Noturno, Ilusão...
E que tal ler “O Meu Pé de Laranja Lima”?
Na escola liamos sempre. O primeiro livro da nossa biblioteca do “Clube da Bondade” que dona Judith leu em classe, foi “A Vida de Santa Maria Gorete”. Que lindo! Uma emoção só!
Pois é...
E os parques que passavam pela cidade, os circos mambembes, o ciclista que pedalava dia e noite em frente à atual casa de Dácio... o peixe elétrico exposto no escritório de “Seo” Zuza... E uma igrejinha elétrica, que acendia as luzes, o padre andava e era linda! Também lá no “Seo” Zuza, o homem mais rico de Caetité e que tinha, conta a lenda, um capetinha preso numa garrafa (e toda criança morria de curiosidade e medo, ao mesmo tempo).
E a mulher que virava macaco?
Não havia televisão. Mas havia matiné no cinema de Dona Maria Pinho.
Não havia computador, mas havia pedaços de giz, de gesso, de carvão e, com eles, desenhávamos nas calçadas e traçávamos “macacos” para pularmos jogando casca de banana dobrada nas casas, e pulando “de um pé só”.
Se o jogo exigia o Dado e não o tínhamos, fazíamos um com batata e marcávamos com lápis mesmo. E ficavam perfeitos!
Com um pedaço de madeira, traçávamos quadros e pintávamos um sim, outro não e tínhamos um tabuleiro de damas. As pedras eram feitas de rodelas serradas do cabo de vassoura!
Faltou uma bola? Que tal fazer com uma velha meia do nosso pai?
Criar era a nossa maior arte!
Para as meninas, havia o “cozinhadinho”, ou seja, cozinhávamos no quintal, improvisando uma trempe com três pedras, acendendo um fogo e fazíamos nosso almoço em pequenas panelas de barro compradas na feira. E era a melhor comida do mundo, superando qualquer Mac Donald da vida!
Os meninos costumavam usar “badoques” para caçar passarinhos. Maldade? Éramos tão puros que apenas os comíamos! Como quem come o peixe que pesca.
Eu não sei, juro que não sei o que fazíamos no Dia das Crianças ou se ganhávamos presentes... mas sei que tivemos uma baita e maravilhosa infância onde todos os dias eram nossos e neles nós nos fazíamos muito felizes!
Sem jogos eletrônicos, sem celulares e outras coisas atuais... éramos príncipes e princesas das nossas vidas e nada, nem o resfriado, nos impedia de usar a nossa rica imaginação para sermos os senhores da nossa alegria!
Luzmar Oliveira.

12.out.13

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