Não sei o que
fazíamos no dia das crianças...
Não me
lembro do que fazíamos no Dia das Crianças, mas lembro-me perfeitamente do que
fazíamos o ano todo!
Era uma
turminha toda especial! Cleide e Luiz de “Seo” Didi, Janete de Né Raizeiro e
seus irmãos, Marlúcia e Marcondes de “Seo” Zé Alves, Marcio (meu sobrinho), a
turma de “Seo” Auto Gomes... as filhas de Dr Laerte... Ni, depois as minhas
primas filhas de tio Ananias. Essa era a
Rua Dois de Julho, um parque de alegrias e brincadeiras!
Vamos
brincar de roda? Telefone? De-ma-ré? Baleado? Peteca? Pular corda? Picula?
Pedra lisa? Chicotinho queimado? Passar anel? Tres-tres passará? Cancela?
Tico-tico? Futebol? Triangulo? Pegar tanajura e enfiar no palito (maldade!!!)?
Pular Macaco? Cala a boca e não se mexa? Pegar um sério? Dominó? Damas?
Bonecas? Bola? Bola de praia (aquela de várias cores e de soprar)? Birosca?
Bicicleta?
Vamos ler
um gibi da Luluzinha, Bolinha, Bolota, Riquinho, Brotoeja, Zorro, Tarzan,
Mandrake, Fantasma, Faroeste...?
E as
revistas em quadrinhos Capricho, Sétimo Céu, Grande Hotel, Noturno, Ilusão...
E que tal
ler “O Meu Pé de Laranja Lima”?
Na escola
liamos sempre. O primeiro livro da nossa biblioteca do “Clube da Bondade” que
dona Judith leu em classe, foi “A Vida de Santa Maria Gorete”. Que lindo! Uma
emoção só!
Pois é...
E os
parques que passavam pela cidade, os circos mambembes, o ciclista que pedalava
dia e noite em frente à atual casa de Dácio... o peixe elétrico exposto no
escritório de “Seo” Zuza... E uma igrejinha elétrica, que acendia as luzes, o
padre andava e era linda! Também lá no “Seo” Zuza, o homem mais rico de Caetité
e que tinha, conta a lenda, um capetinha preso numa garrafa (e toda criança
morria de curiosidade e medo, ao mesmo tempo).
E a
mulher que virava macaco?
Não havia
televisão. Mas havia matiné no cinema de Dona Maria Pinho.
Não havia
computador, mas havia pedaços de giz, de gesso, de carvão e, com eles,
desenhávamos nas calçadas e traçávamos “macacos” para pularmos jogando casca de
banana dobrada nas casas, e pulando “de um pé só”.
Se o jogo
exigia o Dado e não o tínhamos, fazíamos um com batata e marcávamos com lápis
mesmo. E ficavam perfeitos!
Com um
pedaço de madeira, traçávamos quadros e pintávamos um sim, outro não e tínhamos
um tabuleiro de damas. As pedras eram feitas de rodelas serradas do cabo de
vassoura!
Faltou
uma bola? Que tal fazer com uma velha meia do nosso pai?
Criar era
a nossa maior arte!
Para as
meninas, havia o “cozinhadinho”, ou seja, cozinhávamos no quintal, improvisando
uma trempe com três pedras, acendendo um fogo e fazíamos nosso almoço em
pequenas panelas de barro compradas na feira. E era a melhor comida do mundo,
superando qualquer Mac Donald da vida!
Os
meninos costumavam usar “badoques” para caçar passarinhos. Maldade? Éramos tão puros
que apenas os comíamos! Como quem come o peixe que pesca.
Eu não
sei, juro que não sei o que fazíamos no Dia das Crianças ou se ganhávamos
presentes... mas sei que tivemos uma baita e maravilhosa infância onde todos os
dias eram nossos e neles nós nos fazíamos muito felizes!
Sem jogos
eletrônicos, sem celulares e outras coisas atuais... éramos príncipes e
princesas das nossas vidas e nada, nem o resfriado, nos impedia de usar a nossa
rica imaginação para sermos os senhores da nossa alegria!
Luzmar
Oliveira.
12.out.13

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