QUE SEJA SIMPLES ASSIM
Sei que um dia morrerei. Que seja em um dia chuvoso ou num dia
de festa, é o que peço à vida. Que minha família aceite com serenidade, assim
como meus amigos. Estarei me distanciando de um corpo que não me pertence, de
um mundo aonde vim para crescer e das coisas que nunca foram minhas de verdade.
Quando eu me for, irei feliz. Estarei voltando às minhas origens,
à verdadeira pátria, à verdadeira vida.
A morte é o nascimento. Explico melhor:
Quando aqui nascemos, é a verdadeira morte, é o exílio, é a
chegada a um mundo que não nos pertence e a um corpo que a Terra nos empresta. É
como o estudante que deixa a casa paterna para se aventurar em outras plagas,
estudar e ganhar um diploma. É como aquele que experimenta novas profissões e,
para tanto, tem que se ausentar das barras da saia da mãe. É uma viagem experimental
e de aprendizado. É um acerto de contas com sua própria consciência.
E quando deixamos o corpo, quando morremos, renascemos para a
verdadeira vida, para o mundo espiritual, pois todos somos espíritos. Lá é o
nosso lar, nossa casa, nossa família verdadeira, nossa origem e meta.
O estudante, após receber o diploma, volta à sua terra para, com
ele, ganhar a sua vida suando a camisa no trabalho...
O desencarnado, após cumprir sua missão, sua meta, sua programação
reencarnatória, volta para casa para receber novas missões.
Um dia não precisaremos mais desse vai e vem, pois, paga
totalmente a dívida, aprendida totalmente a lição, devidamente diplomados e
reformados, poderemos ascender a mundos superiores de paz e alegria. De
felicidade plena e constante. Sem medos, sem doenças, sem maldades.
E quando eu me for, que não chorem os sorrisos e nem haja
tristezas. Apenas saudades e a certeza de que, em breve, nos reencontraremos no
mundo paralelo.
Que no meu velório se coloquem músicas. Que não cubram aquele
corpo com flores, mas com luzes de amor e serenidade.
E ao som da voz de Elis Regina cantando Fascinação, enterrem
esse corpo em vala comum. E deixem que a Terra o receba de volta com a minha
gratidão pelo empréstimo: “Somos pó e ao pó voltaremos”.
E tenham certeza de que ali já não estou. Eu já me fui... em
espírito, em energia, para o lugar do meu merecimento.
E digam apenas: Morreu como viveu: Livre! Simples assim!
Luzmar Oliveira
25ago13

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