NÃO MAIS PEQUENINA, MAS CADA VEZ MAIS ILUSTRE!
Amanheceu.
Abro a janela do meu quarto e sinto o ar puro da minha terra encher os meus
pulmões!
É
dia do meu aniversário e completo quinze anos. Sou uma menina-moça e já posso
namorar, sair à noite para o jardim da praça e frequentar festinhas. Posso até
ir ao clube e dançar com os rapazes. Ah! Que maravilha é crescer e ser uma
mocinha! Como sonhei com esse dia!
E
os anos se passaram e as janelas se sucederam como eles. Meus quinze anos se
distanciaram de mim como eu da minha velha casa. E o tempo, inclemente, foi andando,
mas não conseguiu destruir as lembranças e saudades!
Havia
uma escola onde aprendi o “be-a-ba”. Havia uma professora que me ensinou a ler
e escrever e, achando pouco, plantou em mim o amor aos livros fazendo-me sonhar
com eles trazendo o meu nome na capa. Uma certa dona Judith Moreira Lima que
eternizou a poesia em minha alma e incitou-me a voar com minhas próprias palavras!
Ensinou-me a rimar trovas e escrever versos quando me punha na sala da sua casa
e, por horas a fio, fazia-me repetir estrofes para declama-las em público nos
festejos da escola.
Havia
um clube na praça onde as meninas debutavam em bailes oníricos! Eu nunca
debutei. Engraçado como isso nunca me fez falta. Mas debutei na vida aprendendo
a dirigir aos quatorze anos e ganhando estradas aos quinze. E aos quinze tive
meu primeiro namorado. E entrei no primeiro ano do Curso Normal (hoje
magistério). E ganhei minha alforria para sair à noite e curtir a praça, o
jardim (que não era jardim) e curtir os amigos.
E
aos quinze escrevi meus primeiros versos e comecei a datilografa-los e os encadernei
em forma de livros que ainda moram em minha estante.
Aos
quinze experimentei o cigarro roubado de Fiim e não suportei...
Aos
quinze sentia-me moça, mulher e passava esmalte nas unhas e maquiagem no rosto.
Havia
um tal Clube Barauna no outro extremo da cidade e, já moça de verdade,
frequentava as suas festas e divertia-me com as bandas que la tocavam. Inclusive
a nossa amada Os Tártaros! Ali vivi momentos felizes, dancei muito e tomei meus
primeiros goles de cerveja. O Barauna
era o clube dos nossos pais, da nossa gente querida e não existiam preconceitos
que impedissem todos os moradores da cidade de entrarem lá. Era carnaval, era
São João, era qualquer festa. Enchia. E a alegria dominava corações! Corpos
volteavam na pista deslizando conforme a musica tocada.
Sentadas
em torno das mesas, as moças esperavam que os rapazes as tirassem para dançar.
Haviam, claro, os preferidos. Haviam também os “pé de valsa” que davam
verdadeiros shows no salão. Quando Nubia e Zevaldo entravam em cena, eu parava
e abria a boca de admiração. Que inveja daqueles irmãos que eram mestres na
dança!
No
carnaval meu irmão Fiim chegava com Nalvinha e sua inseparável tolha no
pescoço. E só saiam do salão quando calava o último acorde!
Havia
uma festa de Santana. Aquela que cresceu com o passar dos anos e tornou-se uma
marca da nossa Caetité. A cada ano aglomera mais e mais pessoas, transformando
suas novenas em momentos especiais seguidos de uma festa de largo onde todos se
encontram para beber, conversar, comer e se abraçar. Hoje há um palco na praça
e todas as noite ele é ponto de atração, pois apresenta cantores que fazem
sucesso e nos deleitam com suas musicas maravilhosas!
E
não havia a Lavagem da Esquina do Padre! Mas nasceu! Nasceu e cresceu
tornando-se talvez o evento mais concorrido daquela cidade serrana que tanto
nos apaixona! É um carnaval temporão e uma festa típica ao mesmo tempo. Bandas,
folclore, blocos e mascarados ululam pelas ruas, junto ao tradicional “Boi de
Idalino”, temperando os dias com alegria e a felicidade de comemorar a vida!
Atrai turistas e vizinhos. Atrai os filhos distantes que voam para o seio da
cidade querida em busca dos abraços amigos, do reencontro e da descontração de
um momento tão nosso e tão desejado. É a festa do ano! É a bola da vez! É a
alegria do caetiteense criando mais uma etapa da sua história e construindo
lembranças e saudades para o amanhã.
E
o amor só cresce! Histórias de um passado tão nosso e o presente de uma nova
geração que quer ser lembrada e ter lembranças.
Essa
é a nossa terra de Santana! A nossa Vila do Príncipe! O nosso baronato que nos
orgulha tanto! É a terra que amamos e por quem, às vezes, derramamos lágrimas
de saudades!
Uma
cidade que cresce e onde o povo se multiplica. As ruas nascem aqui e acolá. Há novas
escolas, hospitais e o comercio se espalha. Gente que nasceu ali e gente que
veio de longe. É a nossa Caetité! Terra do amor e da cultura... já não
pequenina, e cada vez mais ilustre!
LUZMAR
OLIVEIRA

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