OLHA A CHUVA!
Um dia, ou melhor, uma noite fizeram um enorme balão de jornais
e resolveram solta-lo em plena praça, em frente ao Clube Social. Mas... que
frustração! Queimou... que pena! Fiquei olhando aquilo lá da esquina de Zuza...
triste, pois queria tanto vê-lo subindo e iluminando o céu da minha pequena
Caetité!
Claro que ainda não era proibido e, no São João, ia pra casa de
Madrinha Nice ajudar meu cunhado Padim João a fazer balões coloridos e
maravilhosos. E que subiam até perder de vista...
Havia quem jurava que, se colocasse um espelho para refleti-lo,
ele voltava. Mas não funcionava, eu bem que tentei!
São João era a melhor festa do ano pra mim. Meu pai fazia uma
enorme fogueira, comprava muitos fogos e a gente se divertia a valer! Ora... e
as delícias que minha mãe e minhas irmãs faziam? Bolos, biscoitos, chiringas,
cozido e assado, chimango... hum...
Quentão e vinho não podiam faltar, principalmente porque na
minha cidade fazia um frio retado!
Encontrado os amigos, saiamos de casa em casa comendo e
bebendo... todos sentiam prazer em receber as pessoas! Era só alegria e farra!
Meu Deus! Como o tempo passou correndo! Ou nós passamos por ele?
Pouco importa, o certo é que éramos felizes e despreocupados e curtíamos as
festas juninas como jamais curtimos outras!
Roupas novas e bem agasalhadas. Um sorriso no rosto, fogos numa
sacolinha e lá íamos nós! Pulando fogueiras para fazer compadres e comadres.
Para ganhar madrinhas e afilhados. Quem não tem uma madrinha ou uma comadre de
São João? Eu tenho! As duas!
Com cuidado para não queimar as mãos – houve muitos casos de até
perda de membros! -, soltávamos nossos fogos acendendo-os em pedaços de tição
ou brasas subtraídos das fogueiras. Era
bom demais!
Ah! Caetité, como você nos mimou e deu momentos de tanta alegria
e carinho que os fez inesquecíveis. Como podemos não te amar, Caetité? Como
podemos esquecer tuas ruas com filas de fogueiras, os balões coloridos, as
bandeirolas, o pau de sebo, as laranjas, chiringas e chimangos? A canjica, o mingau
de milho, pamonhas, bolos de fubá, leitoa assada, frangos e frangos também
assados... nossos pais e irmãos, os amigos... o crepitar do fogo na lenha
verde... as chuvinhas que usávamos para escrever nas paredes e passeios...
bombas, traques, pistolas, fósforo elétrico, cobrinhas, rodinhas, canhões...
foguetes de rabo (meu pai adorava e eu ia busca-los com ele em Ibiassucê)... como
esquecer a festa mais linda e alegre do ano? Como esquecer a cidade onde
vivemos tudo isso? Como não reviver os momentos mais quentes do frio inverno da
nossa terrinha?
Festas no clube... quadrilhas. “Anarriê!!!” “Olha a chuva!”
“Marimbondo na estrada!” Roupas alegres e coloridas, bem matutas! O pano da
camisa do rapaz tinha que ser igual à roupa da moça!
Pois é... eu vivi tudo isso e adorei! Fui feliz, brinquei, me
diverti mais que demais!
Quem viveu, nunca esqueceu. Quem nunca viveu... não sabe o que
perdeu!
E com esta rima pobre deixo aqui o meu causo de São João!
Luzmar Oliveira.

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