MAIS LEMBRANÇAS DE CAETITÉ
Às sextas
meu pai ia à feira e trazia também a manta de carne do sol. Corria para tirar
um pedaço, lavava bem e descia para o quintal onde havia outra cozinha com um
fogão a lenha. Ali se fazia os doces em tachos e cobre mexidos com colher de
pau e se torrava café na bola. Também tinha um velho espeto de ferro. Eu
retirava a tampa da trempe e olhava as brasas. Perfeitas! Colocava o espeto
atravessado como o velho Tobias me ensinou e esperava a carne assar...
Assim era
em Caetité! Uma feira gostosa e simples, ainda não invadida pelos mascates de
roupas, sapatos, perfumes e produtos do Paraguai e da China.
Feira
simples onde se comprava arroz, feijão, farinha e açúcar direto das sacas e
medido em litros de madeira. Onde as laranjas e tangerinas eram amontoadas em
pedaços de lona e a gente escolhia a dedo para só levar as melhores.
Onde os
pequis vinham já catados ou ainda nas cascas... que delícia!
Coquinhos
cozidos e vendidos a litro. Coquinhos secos em colares. Espigas de milho verde,
bananas sem carbureto, mangas saudáveis e coloridas. Cana, aipim, batata doce,
batatinha, ovos, cebolas, tomates, coentro, alface, couve... tudo garantido e
sem agrotóxico. Era a feira da saúde! A feira da alegria!
Todos os
Caetiteenses passavam por ali e já sabiam na mão de quem iam comprar. Inclusive
a galinha (ainda viva) para o almoço domingueiro. Engraçado é como aquela
galinha rendia! Todo mundo se fartava e se sentia bem!
Tempo
bom, tempo que ficou em nossa memória, em nossa história maravilhosa de vida!
Tempo do ranger dos carros de boi carregados de lenha ou de outros mantimentos
ou mercadorias. E nós corríamos atrás dos mais vazios e pongávamos, e no outro
também, e mais outro... não nos cansávamos de fazer isso, era bom demais!
Aliás, era lei! Quem não pegou carona num carro de boi não sabe o que perdeu!
Tempo das
moringas e talhas de barro que nos davam agua fresquinha, quase gelada! Dos
copos de alumínio areados e brilhantes.
Tempo de
viver simples e intensamente com a alegria de uma cidade pequena e de um povo
bonito e acolhedor. Tempo de ouvir as badaladas dos sinos da Catedral e saber o
que elas significavam.
Tempo
bom! Deixou saudades e mais saudades... Mas nos fez pessoas melhores do que
éramos e nos ensonou a arte de ser amigos, companheiros e amantes da nossa
Caetité!
Bjim de
Luz.
Luzmar
Oliveira
04dez12

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