Elis Regina - FASCINAÇÃO

sábado, 30 de março de 2013

MAIS LEMBRANÇAS DE CAETITÉ




Às sextas meu pai ia à feira e trazia também a manta de carne do sol. Corria para tirar um pedaço, lavava bem e descia para o quintal onde havia outra cozinha com um fogão a lenha. Ali se fazia os doces em tachos e cobre mexidos com colher de pau e se torrava café na bola. Também tinha um velho espeto de ferro. Eu retirava a tampa da trempe e olhava as brasas. Perfeitas! Colocava o espeto atravessado como o velho Tobias me ensinou e esperava a carne assar...
Assim era em Caetité! Uma feira gostosa e simples, ainda não invadida pelos mascates de roupas, sapatos, perfumes e produtos do Paraguai e da China.
Feira simples onde se comprava arroz, feijão, farinha e açúcar direto das sacas e medido em litros de madeira. Onde as laranjas e tangerinas eram amontoadas em pedaços de lona e a gente escolhia a dedo para só levar as melhores.
Onde os pequis vinham já catados ou ainda nas cascas... que delícia!
Coquinhos cozidos e vendidos a litro. Coquinhos secos em colares. Espigas de milho verde, bananas sem carbureto, mangas saudáveis e coloridas. Cana, aipim, batata doce, batatinha, ovos, cebolas, tomates, coentro, alface, couve... tudo garantido e sem agrotóxico. Era a feira da saúde! A feira da alegria!
Todos os Caetiteenses passavam por ali e já sabiam na mão de quem iam comprar. Inclusive a galinha (ainda viva) para o almoço domingueiro. Engraçado é como aquela galinha rendia! Todo mundo se fartava e se sentia bem!
Tempo bom, tempo que ficou em nossa memória, em nossa história maravilhosa de vida! Tempo do ranger dos carros de boi carregados de lenha ou de outros mantimentos ou mercadorias. E nós corríamos atrás dos mais vazios e pongávamos, e no outro também, e mais outro... não nos cansávamos de fazer isso, era bom demais! Aliás, era lei! Quem não pegou carona num carro de boi não sabe o que perdeu!
Tempo das moringas e talhas de barro que nos davam agua fresquinha, quase gelada! Dos copos de alumínio areados e brilhantes.
Tempo de viver simples e intensamente com a alegria de uma cidade pequena e de um povo bonito e acolhedor. Tempo de ouvir as badaladas dos sinos da Catedral e saber o que elas significavam.
Tempo bom! Deixou saudades e mais saudades... Mas nos fez pessoas melhores do que éramos e nos ensonou a arte de ser amigos, companheiros e amantes da nossa Caetité!
Bjim de Luz.

Luzmar Oliveira
04dez12

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